
ATIVIDADES
DOMICILIARES – SEMANA 18
Disciplina: Ens.
Religioso | Turma: 92 | Professora: Fernanda
Golembiewski
Período a que corresponde a
atividade domiciliar: 03 a 07/08/2020.
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ORIENTAÇÕES: - Realizar a atividade no
caderno de Ensino Religioso; - Registrar, no caderno, a data
em que a atividade está sendo realizada; - A atividade será vista pela
professora na volta das aulas presenciais; Bons
estudos! J |
Na atividade anterior, começamos
a conhecer exemplos de mitos de origem,
que são histórias contadas para explicar a origem do mundo e da vida. Na
atividade desta semana, vamos estudar um mito contado pelo povo indígena
brasileiro Kayapó, que vive no sul do
Pará (Brasil). O texto abaixo foi escrito pelo escritor indígena Daniel
Munduruku e faz parte do livro “Outras tantas histórias indígenas de origem das
coisas e do Universo”.
Leia
o texto com atenção (não é preciso copiar):
O buraco no céu de onde saíram os Kayapó
Contam
que, num tempo muito antigo, os Kayapó moravam no céu. Lá, muito acima do céu,
havia tudo o que se pode imaginar. Tinha batata doce, macaxeira, inhame,
mandioca, milho, inajá, banana, caça das mais diversas e tartarugas da terra.
Enfim, era um lugar com muita fartura.
Um
dia, um experiente guerreiro da classe dos Mebenget descobriu no mato a cova de
um tatu. Ele ficou muito curioso e com vontade de caçar o animal. Então começou
a cavar. Passou o dia inteiro cavando e mesmo de noite não parou de cavar.
Assim se passaram muitos dias até que viu o tatu gigante. Ficou animado com
isso e cavou com mais empenho ainda até furar a abóboda celeste. O tatu
despencou lá de cima, arrastando consigo o velho guerreiro. No entanto, quando
já estavam para chegar no chão, um forte vento de tempestade pegou o guerreiro
e o atirou novamente pra cima. Assim, ele pôde voltar para o céu, de onde olhou
a terra e viu que lá tinha uma pequena floresta de buriti, um rio e vastos
campos.
Admirando
a terra lá embaixo, o homem sentiu uma saudade tão grande, um aperto tão
profundo no coração, que não se conteve e deixou rolar duas lágrimas pelo
rosto. Depois, apressou-se em voltar para a sua aldeia a fim de contar o que
havia visto.
-
Cavei um buraco na abóboba celeste – contou o guerreiro.
-
E como isso aconteceu? – perguntaram os homens reunidos na casa especialmente
preparada para suas reuniões.
- Eu vi um tatu gigante e o
persegui até ele desabar do céu.
- E onde ele está agora?
- Ele caiu sobre uma
floresta de buritis.
Os
chefes dos Kayapó ficaram muito pensativos após ouvirem o relato do guerreiro e
conversaram para decidirem o que fazer.
-
O que devemos fazer agora? – perguntou um chefe.
-
Será que devemos deixar o céu e descer para a Terra?
No
entanto, não conseguiam decidir nada e permaneceram longo tempo conversando e
pensando sobre o que iam fazer, até que decidiram que o povo deveria emigrar
para a Terra.
-
Como iremos fazer isso, já que é uma descida muito grande? – perguntou outro
chefe.
-
Vamos fazer uma corda muito comprida usando nossos cipós, braceletes e cintos.
Cada um de nós terá de ir em sua casa e trazer tudo o que puder ser tecido para
fazermos uma corda bem forte e resistente.
E
assim foi feito. Os homens teceram uma longa corda que foi lançada daquele
buraco do céu. Imediatamente começaram a descer. A corda, no entanto, não era
longa o bastante para atingir o chão e todos tiveram de retornar ao céu. Mas
não desistiram. Foram trazendo mais coisas para aumentar a corda até o
comprimento necessário.
O
primeiro a descer foi um homem da classe dos Mebenget que não tinha medo de
altura. Ele foi o primeiro Kayapó a pisar na Terra. Logo que chegou, amarrou a
extremidade da corda no tronco de uma árvore gigante, o que facilitou muito a
descida de outras pessoas. Os primeiros a descer foram os jovens; depois, as
mulheres com as crianças agarrados em suas costas; em seguida, os homens e,
finalmente, os anciãos.
Aconteceu,
porém, que alguns Kayapó ficaram com medo de descer pela corda e resolveram não
acompanhar os outros. Nessa expectativa de desce-não-desce, apareceu um
estranho menino que, vendo a corda esticada, passou por ela e a cortou. Fez
isso zombando de todos e disse:
- Estou cortando a corda
para que eles fiquem morando no céu eternamente.
Diante disso, os que já
tinham descido procuraram rapidamente um lugar nos campos onde pudessem
construir sua moradia. Os mais jovens iam na frente para abrir caminho enquanto
eram seguidos pelos demais.
É por esse motivo, contam os Kayapó, que uma parte desse povo continua morando no céu enquanto os demais se fixaram na Terra e a dominaram, tornando-se grandes conhecedores da floresta.
Referência: MUNDURUKU, Daniel. Outras tantas histórias indígenas de origem
das coisas e do Universo. São Paulo: Global, 2008. p. 34-36.
Copie
e responda as
atividades abaixo:
1. Registre o título e o nome do autor do texto.
2. O autor do texto está recontando uma história que faz parte da cultura do povo Kayapó. Na sua opinião, como essa história é transmitida, de geração em geração?
3. O que você aprendeu a partir da leitura dessa história? Escreva um parágrafo para responder a pergunta.
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