quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Turma 92 - Ensino Religioso - Professora Fernanda (03 a 07/08/2020)

ATIVIDADES DOMICILIARES – SEMANA 18

Disciplina: Ens. Religioso | Turma: 92 | Professora: Fernanda Golembiewski

Período a que corresponde a atividade domiciliar: 03 a 07/08/2020.

 

ORIENTAÇÕES:

- Realizar a atividade no caderno de Ensino Religioso;

- Registrar, no caderno, a data em que a atividade está sendo realizada;

- A atividade será vista pela professora na volta das aulas presenciais;


Bons estudos! J


Na atividade anterior, começamos a conhecer exemplos de mitos de origem, que são histórias contadas para explicar a origem do mundo e da vida. Na atividade desta semana, vamos estudar um mito contado pelo povo indígena brasileiro Kayapó, que vive no sul do Pará (Brasil). O texto abaixo foi escrito pelo escritor indígena Daniel Munduruku e faz parte do livro “Outras tantas histórias indígenas de origem das coisas e do Universo”.   

 

Leia o texto com atenção (não é preciso copiar):

 

O buraco no céu de onde saíram os Kayapó

            Contam que, num tempo muito antigo, os Kayapó moravam no céu. Lá, muito acima do céu, havia tudo o que se pode imaginar. Tinha batata doce, macaxeira, inhame, mandioca, milho, inajá, banana, caça das mais diversas e tartarugas da terra. Enfim, era um lugar com muita fartura.

            Um dia, um experiente guerreiro da classe dos Mebenget descobriu no mato a cova de um tatu. Ele ficou muito curioso e com vontade de caçar o animal. Então começou a cavar. Passou o dia inteiro cavando e mesmo de noite não parou de cavar. Assim se passaram muitos dias até que viu o tatu gigante. Ficou animado com isso e cavou com mais empenho ainda até furar a abóboda celeste. O tatu despencou lá de cima, arrastando consigo o velho guerreiro. No entanto, quando já estavam para chegar no chão, um forte vento de tempestade pegou o guerreiro e o atirou novamente pra cima. Assim, ele pôde voltar para o céu, de onde olhou a terra e viu que lá tinha uma pequena floresta de buriti, um rio e vastos campos.

            Admirando a terra lá embaixo, o homem sentiu uma saudade tão grande, um aperto tão profundo no coração, que não se conteve e deixou rolar duas lágrimas pelo rosto. Depois, apressou-se em voltar para a sua aldeia a fim de contar o que havia visto.

            - Cavei um buraco na abóboba celeste – contou o guerreiro.

            - E como isso aconteceu? – perguntaram os homens reunidos na casa especialmente preparada para suas reuniões.

- Eu vi um tatu gigante e o persegui até ele desabar do céu.

- E onde ele está agora?

- Ele caiu sobre uma floresta de buritis.

            Os chefes dos Kayapó ficaram muito pensativos após ouvirem o relato do guerreiro e conversaram para decidirem o que fazer.

            - O que devemos fazer agora? – perguntou um chefe.

            - Será que devemos deixar o céu e descer para a Terra?

            No entanto, não conseguiam decidir nada e permaneceram longo tempo conversando e pensando sobre o que iam fazer, até que decidiram que o povo deveria emigrar para a Terra.

            - Como iremos fazer isso, já que é uma descida muito grande? – perguntou outro chefe.

            - Vamos fazer uma corda muito comprida usando nossos cipós, braceletes e cintos. Cada um de nós terá de ir em sua casa e trazer tudo o que puder ser tecido para fazermos uma corda bem forte e resistente.

            E assim foi feito. Os homens teceram uma longa corda que foi lançada daquele buraco do céu. Imediatamente começaram a descer. A corda, no entanto, não era longa o bastante para atingir o chão e todos tiveram de retornar ao céu. Mas não desistiram. Foram trazendo mais coisas para aumentar a corda até o comprimento necessário.

            O primeiro a descer foi um homem da classe dos Mebenget que não tinha medo de altura. Ele foi o primeiro Kayapó a pisar na Terra. Logo que chegou, amarrou a extremidade da corda no tronco de uma árvore gigante, o que facilitou muito a descida de outras pessoas. Os primeiros a descer foram os jovens; depois, as mulheres com as crianças agarrados em suas costas; em seguida, os homens e, finalmente, os anciãos.

            Aconteceu, porém, que alguns Kayapó ficaram com medo de descer pela corda e resolveram não acompanhar os outros. Nessa expectativa de desce-não-desce, apareceu um estranho menino que, vendo a corda esticada, passou por ela e a cortou. Fez isso zombando de todos e disse:

- Estou cortando a corda para que eles fiquem morando no céu eternamente.

Diante disso, os que já tinham descido procuraram rapidamente um lugar nos campos onde pudessem construir sua moradia. Os mais jovens iam na frente para abrir caminho enquanto eram seguidos pelos demais.

É por esse motivo, contam os Kayapó, que uma parte desse povo continua morando no céu enquanto os demais se fixaram na Terra e a dominaram, tornando-se grandes conhecedores da floresta.  

Referência: MUNDURUKU, Daniel. Outras tantas histórias indígenas de origem das coisas e do Universo. São Paulo: Global, 2008. p. 34-36.

 

Copie e responda as atividades abaixo:

 

1.    Registre o título e o nome do autor do texto.

2. O autor do texto está recontando uma história que faz parte da cultura do povo Kayapó. Na sua opinião, como essa história é transmitida, de geração em geração?

3.  O que você aprendeu a partir da leitura dessa história? Escreva um parágrafo para responder a pergunta.


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